sexta-feira, 2 de outubro de 2009

[00003] Emigração em Pombal

EMIGRAÇÃO EM PORTUGAL: UMA FATALIDADE?
Portugal tem apresentado ao longo dos anos e da sua história períodos de forte emigração, que se têm traduzido por uma saída maciça dos seus habitantes para outros países.
O primeiro período vai desde os finais do século passado até 1913. Este período coincide com a chamada "emigração transoceânica", cujo país de destino-foi essencialmente o Brasil. Este movimento sofreu uma baixa durante a I Guerra Mundial, devido, desde logo, às dificuldades de transporte marítimo, tendo de novo aumentado entre 1919 e 1930, como comprova o gráfico referente à Emigração Oficial. Posteriormente, à custa de restrições impostas pelo Brasil à entrada de estrangeiros, este movimento decai consideravelmente, vindo o mesmo a suceder durante a II Grande Guerra.
A partir dos finais dos anos 50 e, sobretudo, no início da década de 60, desenvolve-se o segundo período e a emigração portuguesa volta a incrementar-se apresentando, contudo, características diferentes das do período anterior. Este movimento teve como principal destino os países industrializados da Europa Ocidental, que na altura apresentavam fortes carências de mão-de- obra, face à necessidade da sua reconstrução e à expansão económica que estes atravessavam. Iniciava-se a chamada "emigração intra-europeia".
Este período de forte emigração manteve-se até 1974, altura a partir da qual é interrompido, devido às restrições impostas por estes países do ocidente europeu e, igualmente, pelos E.U.A. e Canadá, que se traduziu numa quebra bastante significativa da emigração portuguesa que até 1974 se caracterizou pela existência de um elevado número de saídas clandestinas - emigração clandestina, sobretudo para França ( como é confirmável no gráfico ), saídas estas que em algumas zonas do país foram mais significativas que as saídas legais/oficiais - emigração legal.
Portugal, em período idêntico ( 1960/1974 ), apresentava fortes condicionalismos internos, que foram factores importantes e determinantes para o desenrolar do processo emigratório e, portanto, pela saída constante de mão-de-obra portuguesa para outros países, que se justificava em grande parte pela fome, pela miséria, pelas más condições de trabalho, em suma, pelas más condições de vida como consequência dos desequilíbrios "inter - sectoriais" e "regionais" que caracterizavam a sociedade portuguesa.
Como consequência desta situação, o país apresentava neste período um elevado número de pessoas não qualificadas. Pelo contrário, outros países europeus de destino da emigração portuguesa estavam com um grande excedente de mão-de-obra qualificada, pelo que lhes interessava imigrantes trabalhadores pouco qualificados, como os portugueses, dispostos a desempenhar tarefas relativamente modestas.
E, se todas estas causas foram determinantes para a saída das populações para outros países, não podemos esquecer a importância das razões políticas que levaram muitos jovens e adultos a abandonarem o seu país por oposição ao regime e, outros, para não cumprirem o serviço militar, como forma de fugirem à Guerra Colonial que havia começado.
(continua)

Notas: Gráficos e comentários da dona do blogue, sobre as causas da emigração, surgirão a seu tempo.